quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Sobre Tito Romero e Sua Orquestra


Um Pelotense Esquecido
João Adelino Leal Brito foi um requisitado pianista e regente na era de ouro do rádio brasileiro
Por: Leon Sanguiné
leon.sanguine@diariopopular.com.br
Britinho, como era conhecido, gravou com grandes nomes como João Gilberto e Dorival Caymmi.
Pode parecer surpresa, mas um pelotense participou da gravação do primeiro LP do criador da bossa nova, João Gilberto. Pianista dos mais respeitados no mundo da música, João Adelino Leal Brito, o Britinho, saído do Simões Lopes, nunca foi deveras conhecido por aqui, muito por ter feito carreira no Rio de Janeiro. Possivelmente morto em 1965 (nem esta data é determinada com absoluta certeza), Britinho tem agora sua história pesquisada pelo graduando em História pela UFPel Vinicius Veleda, que pretende fazer um projeto de pré-mestrado sobre a trajetória do músico e de seu irmão, Rubens.
João Adelino Leal Brito foi um pianista, regente e compositor. Nascido em 5 de maio de 1917, teve sua vida rondada por mistérios até mesmo no momento de sua morte - especula-se que Britinho tenha morrido entre 1964 e 1965. Sempre ligado à música, começou os estudos em violino aos dez anos e aprofundou os conhecimentos na área musical, por influência dos tios, no Conservatório de Pelotas. Deixou a região sul para substituir o pianista Paulo Coelho na rádio Farroupilha, de Porto Alegre, partindo em 1939 para São Paulo onde trabalhou na boate Tabu. Dois anos depois, chegou no principal reduto da música brasileira, onde seu trabalho é pelo menos um pouco mais conhecido (é lá que são encontrados os maiores registros de sua obra): o Rio de Janeiro.
Em família
A atenção que Vinicius Veleda dá à obra de Britinho não é apenas pela admiração ao músico. O estudante é parente do pianista. “Interesso-me em pesquisar o músico João Leal Brito e seu irmão, Rubens Leal Brito, primeiramente pelo fato deles serem irmãos do meu avô paterno, Oscar Leal Veleda. Depois por tentar resgatar a produção de músicos nascidos aqui em Pelotas - músicos estes que praticamente não chegaram a ser reconhecidos pelo seu trabalho na terra natal”, afirma, contando ainda que desde criança ouve histórias de ter músicos na família. Tudo isso em meio a declarações como “me parece que uma tia minha tinha algumas coisas”.
Muitas gravações e nomes
Na primeira metade do século 20 havia uma peculiar característica em relação aos nomes dos músicos mais conhecidos. Muitos utilizavam diversos pseudônimos, o que é explicado por Mauro Caldas, um dos criadores do site especializado em música Loronix e contato de Veleda em sua pesquisa. Segundo ele, na década de 50 e 60 ocorreu de as gravadoras, os grupos e maestros adotarem por razões comerciais e contratuais nomes de personagens musicais, que existiam apenas no estúdio de gravação e nas capas dos discos. João Leal Brito ou Britinho ou Pierre Kolmann ou Franca Villa ou Tito Romero também seguiu essa tendência, sendo conhecido no meio musical por utilizar diversos pseudônimos - o que torna ainda mais difícil a já árdua tarefa de pesquisar sua obra.
Contribui também para a dificuldade a confusão que muitos pesquisadores da música fazem entre Britinho e seu irmão, Rubens, também pianista na mesma época. Há diversas canções de João Leal Brito creditadas a Rubens (e talvez vice-versa).
Também surpreendem pela grande quantidade as gravações de Britinho. Veleda mais uma vez usa o tom do mistério e da dúvida, presente em tudo o que diz respeito ao músico: “Para dar uma margem eu diria que ele tem uns 80, 84 discos”. No site do Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB) são 75 fonogramas de João Leal Brito - de 78 rpm são 15 e de 33 rpm são mais 63. Estão ali 42 álbuns de carreira e 21 participações. Tudo isso em um período de 13 anos - 1951 a 1964.
Empréstimo a João Gilberto
Um dos pontos altos da pesquisa que Veleda pretende fazer diz respeito à relação de João Adelino Brito com o pai da bossa nova, João Gilberto. Ele se baseia no livro Chega de saudade, do jornalista e escritor Ruy Castro, onde este narra a gravação do primeiro disco do músico baiano, em 1952. Saído do Garotos da Lua, o músico teve um conjunto para lhe acompanhar. Entre este estava Britinho, no piano.
Logo quando saiu de seu grupo anterior, João Gilberto estava precisando de dinheiro. Recorreu então ao xará do sul, melhor de vida na época. Esta fora uma das informações que causaram maior espanto em Veleda. “Quando eu li isso aqui, não acreditei”, comenta.
Outro grande nome da música brasileira que nutria grande respeito e admiração por João Leal Brito - e por seu irmão, Rubens - era Dorival Caymmi, que o considerava “indiscutivelmente um dos melhores pianistas do Brasil”.
Pouco material em Pelotas
Veleda lamenta o pouco reconhecimento do tio-avô em sua cidade natal. Segundo ele, todo o material sobre Britinho que encontrou por aqui surgiu das memórias da família. Ele credita esse caráter quase anônimo do músico em Pelotas por o pianista ter feito carreira em outros estados. “Sua produção fonográfica abrangeu principalmente o eixo Rio e São Paulo, locais onde havia as grandes emissoras de rádio e gravadoras.” Além disso, Veleda cita a pouca participação de Britinho na cena cultural local.
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Tito Romero e Sua Orquestra (1959)

BOLEROS MARAVILHOSOS



01 - Teus Olhos Entendem os Meus
02 - Que Será
03 - Espere Um Pouco Mais
04 - Meu Sonho é Você
05 - Falas de Amor Outra Vez
06 - Inspiração
07 - A Voz do Violão
08 - Sou Eu
09 - Se a Saudade Falasse
10 - Esmagando Rosas
11 - Porque Brilham Teus Olhos
12 - Nunca Mais
Link:
http://depositfiles.com/files/lc7ssppew

Fonte:http://parallelrealitiesstudio.wordpress.com/